Aplicação das práticas de inovação aberta no mercado de seguros cria novos e assertivos produtos e serviços, mas também deve ampliar a concorrência 

O mercado já vinha com profundas transformações e a pandemia somente acelerou. Um exemplo disso é a visão de Open Insurance, conceito totalmente novo para o mercado.

 A Susep colocou em Consulta Pública, no dia 22 de abril, minutas de Resolução e de Circular para regulamentação do Sistema de Seguros Aberto – o Open Insurance. O prazo para sugestões à autarquia vai até o dia 25 de maio. Com o Open Insurance, a autarquia age em seu foco de modernização e simplificação do mercado de seguros e aplica no setor a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). A Lei, que já está vigor, garante a cada pessoa o direito à portabilidade dos seus dados, podendo demandar ao seu fornecedor de produtos ou serviços que forneça os seus dados a outros fornecedores, sempre de forma consentida.

Assim como o termo insurtech trouxe para o mercado de seguros a tendência de modernização dos bancos com as fintechs, o Open Insurance deriva do movimento Open Banking. O Open Banking permite usar os dados dos clientes para oferecer produtos e serviços financeiros que atendam melhor as suas necessidades.

No mercado de seguros, o Open Insurance aplica as práticas de inovação aberta, por meio do fornecimento de serviços e dados a parceiros, comunidades e startups, a fim de criar novos serviços, aplicativos e modelos de negócios inovadores. Em webinar sobre o tema realizado no dia 04 de maio, a Susep defendeu como benefícios do Open Insurance: alinhamento ao Open Banking; cidadania financeira; estímulo à inovação e concorrência; agilidade, precisão e conveniência; segurança e privacidade; atendimento centrado no consumidor.

Grande onda de mudanças, assim como a Circular 621, que acaba com os seguros padronizados e o processo de aprovação da autarquia para cada produto criado, dando liberdade às seguradoras para seguros personalizados de acordo com as necessidades dos clientes. Pode ser benéfica ao proporcionar modernização e simplificação, mas os consumidores vão precisar de uma venda ainda mais consultiva por parte dos corretores, pelas possibilidades de combos e coberturas que podem ser agregados em uma apólice.

O compartilhamento dos dados favorece a criação e oferta de produtos mais assertivos aos clientes segurados, mas tende a ampliar a concorrência tanto para corretores quanto para seguradoras, com a entrada de novos players interessados na versatilidade dos produtos.

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